quarta-feira, 26 de abril de 2017

Miedo de amar

Para aquellos que tienen miedo
De amar
O nunca lo supieron
Se quedan parados
En la habitación oscura
A mirar a los ojos llenos de luz
De los gatos sin las patas
Que caminan por el piso
Y de las faces sin rostros
De las personas alrededor
A fumar cigarrillos
Pero en la verdad
Ellos carburan solos
Sin nadie conseguir fumarlos
Porque nadie tiene bocas
Para decir las palabras más sensillas
Como gracias
Te quiero
Perdón
Me voy
No hay nada más egoísta
Como lo hecho de ser feliz
Y al mismo tiempo
Ser el mar
No hay nada más lindo
Que ser gente para olvidar
Y al mismo tiempo
Recordar.

Para aquellos que tienen miedo
De amar.

Falar

Deixe as paredes falarem
Por si mesmas
Deixe o tempo falar
Já que os lençóis que não sujamos
Não podem falar nada
Sobre aquelas flores
Que comíamos
Das poesias que escrevíamos
Dos corpos que mergulhavam
No mar azul que era
Os nossos corpos
Você nunca esqueceu
De mim e me dizia sempre
"Perdonar es divino".

Eu não fui nada mais que o mar
Ao molhar teus pés.

As tardes foram somente um capítulo
Do muito que ocorreu conosco
Quando as nuvens estão muito negras
Mas não chove na terra rachada
Quando a tristeza é muita
Os olhos também não choram.

A existência foi apenas um momento
Disso que estamos plantando
Sem o objetivo
De colher.

Palavras duras

Destes olhos famintos
Destas mãos sedentas
O que essa pele suada
Quer tanto me dizer
Exalando dos poros
Uma linguagem não-verbal
Pois chovia lá fora
E aqui dentro também
Uma chuva amarela
Que a gente não conseguia
Beber.

Depois do cruising
Me perguntei o porquê
Pois te vi
Passando um batom bem vermelho
Seus lábios doces
Falavam palavras duras
Que me acompanharam
Por todo o caminho
Me inspiram
Também me destroem
Porque são palavras sujas
As que saem dessa boca pura
Qualquer um que estivesse
Sempre pensaria nelas.

Você me contou tristemente
Que foi estuprada quando menina
Mas que não tinha
Nenhum ódio pelos homens
Porém não confiava em nenhum
Eu beijei seus lábios
Que já estavam um pouco frios
Enquanto sentia um arrepio incontrolável
Eu não tinha palavras
No final
Era você que me consolava.

Limão galego

Mas você precisa dar o seu grito
Pra provar que está vivo
Só assim o dia pode acordar
Como um limão galego
Um pouco menos ressentido 
Feito as crianças mal paridas
Que não param de chorar
Antes de se deitarem
Em caixões pequenos.

Você tem um vida pra construir e destruir
Com as suas próprias mãos
Mas perde o seu tempo
Ouvindo conselhos de pessoas
Que jamais se colocariam
Em seu lugar
Não os culpe
Eles ejaculam e gozam
Se casam e se dão em casamentos
Se embriagam e se deixam embriagar
Cagam no pau alheio
Depois voltam ao pó.

Lembra um verbo transitivo indireto
Lembra a viúva-negra
Depois de copular.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

BR-116

A BR-116 e suas prostitutas boçais
Nas madrugadas infernais do Brasil
Pais de família sob o efeito do
arrebite
Cortam as curvas e as retas
Veias e artérias
Depois em banheiros destruídos
Lavam a rola.

A BR-116 e seus espíritos sem luz
No sol ardendo o asfalto escaldante
Os vícios em postos de gasolina
As depressões nos pátios do sertão
Naqueles momentos de eternidade
Onde se mescla a vida e a morte
O chegar e partir
O ser, o estar e o haver.

A BR-116 e a fome desgraçada que esse povo sente
Suas crianças pelo acostamento
Negociam espigas de milho sapecadas
Em pedágios delirantes
Em cidades fantasmas
Onde se pronuncia um português
Cheio de sotaque
Como gente sem os dentes.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Manhãs de segunda-feira

A poesia contemporânea
Que você tem escrito
Fala de absurdos que eu reconheço bem
Ela descreve os meus cigarros e as drogas
Os desejos e os meus segredos
Quando ejaculo me negando
Depois fujo para lugares de risco ainda maior
A confusão que eu sinto
Quando acordo bem cedo
De pau duro
Com palpites equivocados
Com as percepções
Ainda adormecidas
Sem ouvir o que você repetia sempre
"Não temos tempo agora
Estamos atrasados
Você precisa chegar à universidade"
Mas é claro que
Depois de fumar um baseado
Sempre acabávamos fudendo
E perdíamos as manhãs
De segunda-feira.

Ontem você me contou
Outras histórias que me abalaram muito
Do sofrimento
Das bichinhas
Que aplicam em si mesmas
O que chamam por aí de
Silicone industrial
De umas meninas estupradas
Por um tio
De uns meninos estuprados
Por um padre
Da vida estuprada
Por eles
Das mulheres que não choram
Que guardam tudo
Lembra da mãe daquele moleque estúpido
Ela dizia para ele ser feliz
Mesmo sendo espancada três vezes por semana
Em dias úteis
Porque nos finais de semana e nos
Feriados católicos
Não se conta esse tipo de estatística
Essas poesias sempre falavam
Dos pais que assassinam
A própria família
Das mães que olham para o rola
Dos próprios filhos
Desejando-os.

Eu te respondi com palavras claras
"Isso que você escreve
Não é poesia
Não poderia ser nunca"
Pela primeira vez
Você me mirou
Com um olhar realmente indefeso
E sem palavras, apenas me escutava
"A vida não vira poesia
É impossível condensar aquilo
Que você não tem controle
Que é bem maior do que você
A realidade não é
Cinematográfica
Ela está fora dos livros
Por mais que os tolos tentam encaixa-la em modelos
Como o triplo de roupa
Para uma mesma mala
A vida nunca foi
Um livro aberto".

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Calafate

Após o calafate fazer o seu trabalho
Veja que eu trago as estopas
Depois das bombas químicas e das minas
Terrestres
Eles têm se cortado
Com estiletes de lâmina
Oxidada
Com seringas contaminadas
Com ideias que paralisam
Que negam
Que não se permitem
Enquanto você também sangra a si
Mesma
Com cacos de vidro
Ao tentar se masturbar
Ao tentar não viver
Porque eu estava em algum lugar perdido
Totalmente entorpecido
Pois quando percebi
Eu estava nadando em um lugar lindo
Com gosto de leite fresco
Saído das tetas de uma mãe
Mas a tarde cai tão dolorosa
No calvário
Na cidade
Na calçada
Em nós mesmos
O meu maior pecado
Foi não amar.

Após a vida passar mais um pouco
Nós temos que aceitar
Que o maior pecado deles
Foi o erro banal de conjugar
Todo o tempo
A primeira pessoa do singular
O seu maior pecado
Foi se negar
Todo o tempo
Você deveria ter fumado um baseado e ter
Ficado em casa
Naqueles dias de violência
Porque você sabe muito bem
Que o meu maior pecado
Foi não amar.

Após todos gozarem e se limparem
Eu não tenho problemas
De ligar o gás
Já que o meu maior pecado
Foi não amar.

domingo, 9 de abril de 2017

O que eu tenho entre as pernas

O que eu tenho entre as pernas
Além de discórdias, poesias, ideias sem nexo e fotografias
Em preto e branco
Eu trago remendos da totalidade
Como um devenir
É grátis
Não é pecado.

O que eu tenho entre as pernas
Você vai se surpreender
Quando bem de manhã
Desperto com a cabeça no óbvio
Com um machado na mão
Eu corto a lenha
Em lascas pequenas
Porque penso em acender o fogo
Daquele velho fogão a lenha
Depois fico rindo da sua cara e lhe digo
É grátis
Não é imoral.

O que eu tenho entre as pernas
Tais líricas escorrendo e se criando
Se recriando, se autodestruindo
Elas gozam, se lambuzam, depois dormem
Depois acordam e gozam de novo
Múltiplos orgasmos
Filosofias ocidentais que compõem
O marxismo contemporâneo
Ou Mestre Gabriel no meio da Amazônia
Bebendo o vegetal com os índios
Deveria estar escrito
É grátis
Não mata.

O que eu tenho entre as pernas
Uma depravação contínua
Mas bem diferente deles
Eles se ferem a eles mesmos
Depois fodem eles mesmos
Mas saiba que  amor também dói
É grátis
Não tem culpa.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Naquelas tardes de muito calor

Naquelas tardes de muito calor
As gotas de suor
Escorriam
Delimitavam as curvas e as linhas
Do teu corpo
Como se desenhassem caminhos
Como se indicassem
Destinos
Como se falassem
De beijos
Fumávamos porros juntos
Mas nos perdíamos
Em palavras.

Naquelas tardes de muito calor
Quando eu dizia que lhe amava
Você me mostrava algo que trazia nas mãos
Depois com muito cuidado
O trabalhava com um cartão
Eu lhe perguntei
"Por que você usa isso?"
Você me respondeu muito triste
"Porque é a única que seca
As minhas lágrimas".

Naquelas tardes de muito calor
Sonhávamos com o mar
Mas sempre acordávamos
Com sexo oral
Depois de tudo, você me disse
Que "o amor não tinha raízes
Porque era sepulcro vazio
E mesmo nos momentos mais calmos
O nosso não passava de incesto"
Eu não tive respostas
Menos contraditórias
Mas você continuou
"O amor que você sente
É apenas dor, nada mais"
Eu só percebi tudo
Quando depois você me confessou
Que sentia tesão
Pelo meu adultério
E se imaginava nele.

Naquelas tardes de muito calor
Dois corpos fodiam
Pensando em tantas coisas.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Caixa de Pandora

As drogas químicas e as marcas de prostituição
O cinzeiro lotado de bitucas de filtro vermelho
Mas paga muito caro para caminhar para a morte
Você tem se penetrado com armas de fogo
Est-ce que tu penses à moi
quand tu la baises?

Depois que a ressaca quase lhe matou
Foi estúpido ver você mijando de quatro
Você gozou pela cidade, no concreto, na parte mais linda da vida
Mas você terá que limpar sua parte
Est-ce que tu penses à moi
quand tu la baises?

Eu vou abrir sua caixa de pandora
Vou queimar suas calcinhas
Vou apagar seu baseado
Vou rir da sua cara
Est-ce que tu penses à moi
quand tu la baises?

terça-feira, 4 de abril de 2017

Nudez

A surdez da noite
Já se misturou com a nudez
Da cidade de joelhos
Fazendo sexo no pelo
Porque finge, mas talvez saiba
Que ninguém está ouvindo
Seus lamentos sexuais
Porque seu gozo
É dor
Seus anseios cheios de preconceito
Essa angústia
Tal sina dos pecadores
Dos assassinos
Dos drogados
Dos ninfomaníacos
Dos bissexuais
Dos poetas
Dos pais que comem
As próprias filhas
Do céu azul, sem nuvens.
A cidade estava muito ocupada
Pois confundiu nós dois
Com as flores que nascem
Da sujeita das ruas
Até as flores são estupradas
Neste lugar.
A cidade ejaculou poesias
Que fediam esgoto a céu aberto
Mesmo assim se manteve aflita
Após chegar a menstruação atrasada.
A cidade sentia prazer
Em usar cocaína
E depois forçar o vômito.

Pensando em você

Sim, porque eu estava pensando em você
Naqueles momentos
De tortura e medo
Onde só você sabe
E se esconde em outros vocabulários
As gírias contemporâneas
Que não tem tempo definido.
Sim, lógico que eu estava pensando em você
Quando participava daquelas festas da carne
Apodrecida
Que outros chamam abertamente de
Orgias
Me lembro que antes
Nós vomitávamos disparates
Depois gritávamos desatinados
Num quarto fechado cheio de vapor
Com forte cheiro de suor pedante
Corpos diferentes que iam e vinham
Concluíam e recomeçavam.
Sim, pois eu estava pensando em você
Enquanto masturbava poesias excêntricas e caóticas
Sobre amores sem futuro e os filhos egoístas
Que batem nos próprios pais
Que não quisemos ser
Já que depois de tudo
Ao gozar na parte mais frágil da vida
A gente remendava
Tilangos
Curávamos nossas loucuras
Com mais loucura
Mas o incurável despertou com sede
Depois de ter pesadelos toda a noite.
Sim, claro que eu estava pensando em você
Especialmente naqueles instantes
Nas quais minhas coxas fediam
Água sanitária.
Sim, eu estava pensando em você
Porque eu também estava na cova
Com os leões.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Calças Jeans

Lembra-te de algumas coisas
Quando estiveres em teu ménage à trois
Tais como
Os olhos verdes avermelhados 
Os pelos do peito
A boca sedenta
Os lábios com herpes
Os óculos com as lentes quebradas
A tonalidade dos cabelos
A cor das calças jeans.

domingo, 19 de março de 2017

ENSAIO POÉTICO: ORGIA

Por S. Coitelinho














AS ORGIAS
Só eu sei o que vi
Portões fechados e muros baixos, pichados
Só você sabe o que sentiu
As algemas apertadas
O gosto de morrer e continuar
Vivendo sem viver
Temos fudido com tanta gente
Em busca daquilo que
Nunca teremos
Nós mesmos
Mas isso não é um crime.

Só eu sei o que vivi
Na Br-116, em Feira de Santana, em Teófilo Otoni
Só você sabe o que aconteceu
Choques elétricos, poesias e flores
Naquelas conjunturas
Onde os dias violentos
Já amanhecem cansados
Depois de noites de orgia.

Só eu sei o que passei
Quando entreguei meu corpo de braços abertos
Só você sabe o que escutou
Verdades alucinadas e sonetos
Como beijos com hálito
De nicotina
Tal como rolas
Com gosto de bucetas.



CAMALEÃO
Porque o mar é o único
Que não mente sobre nós dois
Tenho pensado em ti
Todas as vezes em que erro
Eu ainda te espero
Para pedir o teu perdão
E te perdoar por tudo
Eu te amo
Porque você é a contradição
Porque as nossas orgias
Têm apenas nos denunciado
Eu lembro que lhe disse
"Não consigo imaginar
Você chupando uma rola"
Você me respondeu
Com um sorriso irônico
Com os olhos alucinados
Com os dentes mordendo
"Relaxa
A vida é como uma bisca
Você não pode escolher
As cartas que param
Na sua mão".

Eu ainda te espero
Arco-íris
Por causa das suas cores
Camaleão.



EL DESEO
A nudez exposta nas esquinas
De corpos que gratuitamente
Se sangram
Depois se cagam
Foi corroendo o tesão
Pela vida
Na pele, sem medo
Na pele, sem medo de nada
Traz o que esse lugar incômodo
Tem de melhor e pior
Mas nada acaba
Quando amanhece
É muitas vezes quase natural
Sonhar muito e dormir pouco
Acorda-se com mais vontade.




SEDENTOS
Meu caralho em tua boca
Lhe deixava sedenta
Tua buceta em minha boca
Me deixava sedento.

Era tua mão que apertava meu
caralho
Aquilo era poesia sexual
Eu rasgava tua genitália
Enquanto confessava segredos banais
Enquanto desabafava gemidos.

Meu caralho em tua boca
Lhe deixava sedenta
Tua buceta em minha boca
Me deixava sedento.

Era você que esfregava a xana em
meu nariz
Mas o fio terra que trocamos me fez
gemer
Eu gemi poesia de ogro
Anti-sentimental e mal educado
Gozei em teus peitos e te confessei
segredos.

Meu caralho em tua boca
Lhe deixava sedenta
Tua buceta em minha boca
Me deixava sedento.




DEPOIS DA ORGIA
Depois da orgia
Eu fumei um cigarro
Cabisbaixo
Mas consegui ver as luzes
Que por um momento
Não sabia
Se eram da cidade noturna
Ou do céu
Por um momento
De relance
Tive uma visão tão límpida
Católicos que ilustravam o chão das ruas
Com figuras góticas
Numa quinta-feira.

Por um momento
Me vi em Minas
Numa manhã de névoa e tristeza
Parecia que aquelas taperas
Me imploravam pra voltar
Mas um retorno
Que eu não sei para onde
Nada me pertence
Nem o amor que eu sinto
Nem meu próprio corpo
Visto que pessoas e vermes
Hão me devorado.

Por um momento
Não pensei na morte
E olhei para trás
Percebendo que não já haviam
Espíritos obsessores
Naquele lugar
Mas a totalidade olhava para mim
Com uma cara moralista
Me recriminando
Rasgando minhas poesias
E ao olhar no fundo dos meus olhos
Me repetia
Quem você pensa que é?


sexta-feira, 17 de março de 2017

Ménage à trois [sabiá en español]

Yo sé muy bien
Lo que piensas
No tardo a decirte tus própias promesas
Perdón por estorbar tu cena
Hay cosas sobre ti
Que no se pueden olvidar
Porque has cogido
En busca de droga
Estoy llamando de droga
A esto en que tú te cambiaste
Pero las ortigas
No pueden darte el querer
Porque ya no has aprendido nunca.

Para algunos
El amor no puede ser otra cosa
Que no sea el sexo sin beso
El olor del bacardi
De la plata quemada en los porros
Mezclados con la nostalgia
Que desorientan
Dentro de las vaginas locas
Y de las vidas locas
Dentro de botellas con propiedad privada
Ya te dice, mierda
No te follas con otros
Con tu mente tú sabes adonde.

Recordate de algunas cosas
Cuando estés en tu ménage à trois
Tal como
Los ojos verdes
Los vellos del pecho
La boca sedienta
Las gafas
El pelo
Los pantalones.